China protesta contra veto dos EUA ao DeepSeek em agências federais

China protesta contra proibição do DeepSeek em órgãos federais americanos
O veto do DeepSeek em agências federais dos Estados Unidos gerou uma resposta imediata do governo chinês. O Ministério do Comércio da China divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (20) criticando a decisão americana de proibir o uso do modelo de inteligência artificial chinês nos sistemas de órgãos públicos federais, considerando a medida como prejudicial aos interesses comerciais da República Popular e violadora de acordos bilaterais.
A administração chinesa cobrou dos EUA que "corrijam imediatamente as práticas incorretas" e que procedam à revogação das "medidas restritivas discriminatórias relevantes" relacionadas ao veto do DeepSeek. Segundo a nota oficial, Pequim acompanhará atentamente os desdobramentos da situação e está disposta a implementar "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses comerciais e políticos.
Decisão do Departamento de Segurança Interna americana
O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA emitiu uma ordem na segunda-feira determinando a remoção imediata dos produtos da DeepSeek e de serviços terceirizados que utilizam a plataforma chinesa de inteligência artificial dos sistemas de tecnologia das agências federais civis norte-americanas. A determinação também proíbe que agências governamentais adquiram novos produtos DeepSeek ou contrarem serviços de terceiros desenvolvidos sobre a base dessa tecnologia.
Em sua justificativa oficial, o DHS argumentou que os modelos de IA da DeepSeek representam "múltiplos vetores de ameaça" ao governo federal. A agência de segurança levantou preocupações específicas de que a utilização dessa plataforma por funcionários governamentais ou fornecedores pudesse facilitar a transferência não autorizada de informações confidenciais e de dados sensíveis para a China, comprometendo a segurança nacional.
Posicionamento chinês e diálogo bilateral
De acordo com comunicado oficial do Ministério do Comércio chinês, o governo de Pequim encontra-se "profundamente insatisfeito e se opõe firmemente" à ordem emitida pelo DHS. O ministério reiterou que espera que os EUA honrem o consenso político alcançado pelos líderes dos dois países e que trabalhem conjuntamente "na mesma direção" para resolver controvérsias tecnológicas.
A posição chinesa enfatiza a necessidade de fortalecer o mecanismo de diálogo bilateral sobre inteligência artificial, sugerindo que ambas as nações poderiam resolver questões de segurança e comerciais através de negociações diretas em vez de imposição unilateral de restrições.
Sanções americanas contra empresas chinesas de IA
Além da restrição ao veto do DeepSeek, o governo americano também implementou sanções contra cinco entidades comerciais chinesas acusadas de apropriação ilegal de segredos comerciais relacionados a tecnologias de inteligência artificial. O Departamento de Estado dos EUA anunciou essas sanções na segunda-feira, gerando nova onda de protestos de Pequim.
Entre as empresas alvo das sanções figura a Shanghai Zhisuan Technology, uma companhia especializada em desenvolvimento de inteligência artificial fundada por Linwei Ding, um ex-engenheiro de software que trabalhou previamente na gigante tecnológica Google. Junto à empresa principal, foram sancionadas uma firma de capital de risco que financiou a Zhisuan e três entidades relacionadas ao grupo empresarial.
Caso de roubo de segredos comerciais
O contexto das sanções envolve o caso de Linwei Ding, engenheiro que foi condenado em janeiro por roubar segredos comerciais de inteligência artificial pertencentes ao Google com o objetivo de beneficiar duas empresas chinesas. Embora a condenação de Ding tenha sido parcialmente anulada em decisão de agosto, as acusações de apropriação de propriedade intelectual permaneceram como fundamento para as sanções governamentais.
Resposta chinesa às sanções comerciais
O Ministério do Comércio chinês respondeu às sanções acusando os EUA de "exagerar a questão do chamado roubo de segredos comerciais" e de usar esse argumento como pretexto para prejudicar empresas chinesas legítimas. A nota oficial chinesa qualificou as ações americanas como difamatórias e injustas, sugerindo que refletem uma estratégia mais ampla de restrição ao desenvolvimento tecnológico chinês.
A escalada de tensões entre Washington e Pequim no setor de inteligência artificial evidencia o crescente conflito geopolítico em torno das tecnologias emergentes, com ambas as potências adotando posturas defensivas em relação à segurança nacional e ao acesso a plataformas tecnológicas críticas. O governo chinês permanece vigilante e sinaliza estar preparado para implementar medidas de retaliação caso o veto do DeepSeek e as sanções não sejam revistos pelas autoridades americanas.
