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PF investiga senador petista em operação contra Banco Master

PF investiga senador petista em operação contra Banco Master
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/06/19/pf-esta-no-papel-dela-de-investigar-diz-haddad-sobre-operacao-contra-senador-petista-jaques-wagner.ghtml

PF investiga senador em operação contra Banco Master

A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero focando a investigação Banco Master e suas possíveis conexões com agentes políticos. O senador Jaques Wagner (PT-BA) figura como um dos alvos principais dessa etapa, sendo apontado por supostos recebimentos de vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional. A operação apura um esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado à instituição financeira.

A decisão que autorizou a ação foi proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Conforme os autos, a investigação Banco Master concentra-se na relação de proximidade entre Wagner e o ex-banqueiro Augusto Ferreira Lima, identificado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master que está preso.

Posicionamento do governo sobre as investigações

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou sua perspectiva sobre os procedimentos investigativos durante entrevista à BandNews TV. Segundo o ex-ministro da Fazenda, a Polícia Federal cumpre adequadamente seu papel institucional ao apurar suspeitas envolvendo qualquer pessoa, independentemente de sua posição política.

Haddad enfatizou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou desde o início das investigações que as instituições responsáveis atuassem com total independência. "Lula chamou Ministério Público, STF, Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda e falou: 'Eu quero tudo a limpo, doer a quem doer. Não interessa. Quero a limpo, porque estamos diante da maior fraude bancária do Brasil'", revelou o petista.

O ex-ministro também argumentou que ser investigado não representa condenação, funcionando como oportunidade para que os envolvidos apresentem esclarecimentos às autoridades. Haddad ressaltou que quem se explicar adequadamente será absolvido ou nem processado, enquanto apenas os culpados sofrerão punições.

Alegações contra o senador Jaques Wagner

A Polícia Federal aponta uma série de vantagens indevidas que Wagner teria recebido. Entre os fatos investigados estão a aquisição de um imóvel de luxo em Salvador, ingressos para apresentação da cantora Taylor Swift, repasses financeiros e viagens ao exterior. O senador nega todas as irregularidades.

Imóvel de luxo em Salvador

Segundo as investigações, a compra do apartamento foi realizada pela empresa Epítome S.A., utilizando recursos provenientes de fundos relacionados ao Master. Wagner teria encaminhado dados do empreendimento a Augusto Lima, que acionou terceiros para operacionalizar a transação. O prédio é destinado ao público de alta renda e possui previsão de entrega para setembro de 2026.

Ingressos para show de Taylor Swift

A PF identificou que ingressos para apresentação da artista em São Paulo, no dia 25 de novembro de 2023, foram adquiridos por orientação de Augusto Ferreira Lima no valor de R$ 63.339. Os bilhetes teriam sido destinados a familiares do parlamentar, de acordo com os investigadores.

Dinheiro apreendido em Brasília

A Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie em endereço vinculado ao senador. Wagner justificou que o montante corresponde a diárias recebidas do Senado referentes a viagens internacionais realizadas como parlamentar. Segundo o senador, recebeu aproximadamente US$ 70 mil em diárias desde 2019.

Repasses via empresas intermediárias

Os autos mencionam transferência de R$ 3,5 milhões realizada em outubro de 2025. O valor teria origem em transferência bancária da empresa PKL One Participações S.A., dirigida por Andréa Lima Novaes (prima de Augusto Lima), para a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar de Wagner.

Viagem à Ilha da Paixão

A investigação Banco Master também aponta que Augusto Ferreira colocou aeronave particular à disposição de Wagner para viagem à Ilha da Paixão entre os dias 11 e 13 de outubro de 2023. Mensagens extraídas do celular de Augusto mostram que os dois combinaram o encontro no local.

Atuação parlamentar sob investigação

A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e proposta legislativa visando ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Vorcaro e Lima possui forte atuação através do Credcesta.

Os temas específicos sob investigação incluem elevação da margem consignável para trabalhadores CLT, aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS; tentativa de aprovação da PEC nº65/2023 com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos; e atuação parlamentar voltada à fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Resposta do senador Jaques Wagner

Em entrevista à BandNews, Wagner negou ter relação com Daniel Vorcaro e afirmou que o dinheiro encontrado tem origem exclusivamente em diárias pagas pelo Senado. O senador revelou ainda que o presidente Lula ligou para prestar solidariedade após a operação da Polícia Federal.

Wagner enfatizou transparência em relação aos recursos: "Eu, várias vezes, viajei pro exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá, eu recebi de diárias, aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder".

Contexto da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero constitui investigação ampla da Polícia Federal sobre suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente Daniel Vorcaro. A primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025, após indícios de que o banco emitiu títulos de investimento sem garantias suficientes, atraindo clientes com promessas de rentabilidade acima da média de mercado.

Na ocasião inicial, Vorcaro foi preso e a PF estimou prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões. As fases subsequentes expandiram a investigação para incluir suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, intimidação de adversários, espionagem, uso indevido de informações sigilosas e corrupção.

A PF também investiga aportes bilionários realizados pelo Banco de Brasília no Master e supostos repasses a agentes políticos. Nas fases mais recentes, a operação atingiu familiares e aliados de Vorcaro, além de autoridades públicas como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Todos os investigados negam irregularidades.

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