Momo lança 'Tum tum tum': ritmo afro-brasileiro

Momo apresenta novo trabalho focado em rítmicas brasileiras
Após vinte anos desde seu primeiro álbum 'A estética do rabisco' (2006), o artista mineiro Momo Tum tum tum chega ao seu oitavo trabalho de estúdio. Radicado atualmente em Londres, na Inglaterra, o cantor e compositor Marcelo Frota migrou para a capital britânica após passar alguns anos em Portugal, levando consigo uma bagagem musical que agora se reflete neste novo projeto de caráter inovador. O álbum 'Tum tum tum' foi lançado em 19 de junho de 2026 pelo selo indie alemão Agogo Records, com lançamento também em formato físico de LP.
A estrutura rítmica como protagonista
O título onomatopaico do álbum já revela sua proposta estética central: uma imersão profunda nas rítmicas, particularmente nas levadas afro-brasileiras presentes em gêneros como samba e ijexá. Esta ênfase se torna evidente desde a primeira faixa, 'Egum eô', uma parceria entre Momo e Wado, outro militante da cena indie que constrói sua discografia de forma artesanal, longe dos circuitos comerciais convencionais.
O artista explicita sua trajetória musical: 'Eu sempre transitei livremente por caminhos estéticos diferentes. Desde o começo da minha carreira, nos meus primeiros discos, o folk psicodélico já ditava o tom das minhas canções. Ao longo dos últimos anos e trabalhos, fui introjetando o samba e ritmos mais brasileiros à minha identidade. O Tum tum tum funciona como um apanhado e uma síntese madura de todos os estilos que acumulei na bagagem'. Esta declaração sintetiza o percurso criativo que conduziu à realização desta obra.
Processo de produção em cenário internacional
A gravação e mixagem do álbum ocorreram em Londres entre setembro e novembro de 2025. O masterização foi realizada em Nova York durante janeiro de 2026, demonstrando o caráter cosmopolita desta produção. A obra contou com arte visual assinada por Raissa Pardini e Conor Lumsden, refletindo um esforço colaborativo internacional.
Destaque em faixas principais
'Vermelho e rosa' apresenta novamente a parceria entre Momo e Wado, desta vez com ênfase na batida do congá mencionada na composição. A opção estética conversa com o percurso geográfico do artista, cuja música encontra maior absorção e consumo junto ao público europeu.
'Dream of samba' mantém um clima levemente psicodélico na composição memoralista assinada por Momo em parceria com Luiz Bruno, revelando o público ao qual o álbum se destina preferencialmente. Este equilibrio entre elementos brasileiros e influências internacionais marca a identidade sonora do trabalho.
Colaborações de destaque
O álbum reúne participações notáveis. Marcos Valle, um dos expoentes da bossa nova brasileira com alcance internacional, aparece como convidado tocando piano elétrico na faixa 'Morena', um envolvente samba coescrito também com Marcelo Camelo. Este último produziu o quinto álbum de Momo, 'Voá' (2017), realizado quando o artista residia em Lisboa.
Nina Miranda, vocalista da banda inglesa Smoke City, participa do dueto bilíngue 'Canto de aldeia', gravado em português e inglês. A colaboração reforça o caráter transnacional desta produção musical.
Análise das composições principais
'Dente d'ouro', parceria tríplice de Momo com Marcelo Camelo e Wado, destaca-se como a composição de maior quilate do álbum, valorizada pelo arranjo encorpado com órgãos e sopros. 'Tudo que se tem' evolui na cadência estilizada do ijexá, apresentando versos poéticos como 'No dançar da primavera / No desenho nas suas costas / Sob o linho mora o rio / Do teu corpo de rosa'.
Contexto dentro da discografia do artista
Pelo caráter melódico mais rarefeito, 'Tum tum tum' situa-se em porto distante de 'Serenade of a sailor' (2011), a obra-prima marítima de beleza inebriante lançada há quinze anos. Contudo, este novo trabalho exala certo frescor nos arranjos, criados coletivamente pelo artista com o baterista francês Thomas Broda e o percussionista Jim Le Mesurier, apresentando repertório de bom nível técnico e criativo.
Encerramento lírico
No arremate do álbum, a sambossa-canção 'Tranquilo', composta por Momo com Thiago Camelo durante sua permanência em Lisboa, evolui em clima zen. Com percussão suave e o sopro cool de um saxofone, a faixa apresenta caráter mais melódico que destoa sutilmente do tom geral desta obra consolidada em que Momo se deixa levar completamente pelo ritmo afro-brasileiro, finalizando uma jornada criativa de duas décadas com maturidade artística reconhecível.
