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Bloqueios em massa do WhatsApp prejudicam usuários

Bloqueios em massa do WhatsApp prejudicam usuários
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Suspensões em larga escala afetam milhares de usuários

Os bloqueios em massa do WhatsApp que ocorreram na segunda-feira (3) impactaram pessoas em diversas regiões do planeta, incluindo Brasil. Contudo, muitos afectados relatam que seus bloqueios em massa do WhatsApp ocorreram há semanas ou até meses, e questionam a legitimidade das decisões tomadas pela plataforma de mensagens.

Segundo relatos coletados por usuários, algumas contas permaneceram inacessíveis por mais de trinta dias consecutivos. Com isso, proprietários perderam mais de uma década de conversas, imagens e vídeos armazenados nesses aplicativos. O Downdetector, portal especializado em monitoramento de indisponibilidades, registrou inúmeras denúncias de suspensões ocorridas "sem justificativa aparente".

Histórias de prejuízos financeiros e pessoais

Dionatam Carteri, mecânico residente em Passo Fundo no Rio Grande do Sul, possuía uma conta desde 2015. Após ser impedido de acessá-la no final de julho, perdeu todo o histórico de comunicações com seus clientes. "Fotos de família, documentos, contratos, tudo estava guardado ali. Na vida pessoal conseguimos nos adaptar, mas profissionalmente estou sem chão", desabafou.

O impacto econômico preocupa profissionais autônomos como Dionatam. Sem acesso ao histórico de contatos salvos apenas no aplicativo, ele não consegue localizar clientes para enviar orçamentos. "Em diversos casos, tenho apenas o número do cliente no WhatsApp. Sem poder entrar em contato, acabo perdendo o trabalho e, consequentemente, minha renda", afirmou.

Débora, uma massagista de São Paulo que solicitou anonimato, teve sua conta bloqueada desde final de junho. Embora tenha criado uma segunda conta, esta também foi suspensa dias depois, entrando em um ciclo de restrições. A terceira conta foi normalizada apenas em julho, mas os danos já estavam feitos. "A perda da primeira conta, usada para divulgação, resultou na perda de aproximadamente metade do meu faturamento durante esse período", estimou.

Falta de transparência nas justificativas

Um dos principais pontos de insatisfação entre usuários banidos é a ausência de explicações claras sobre os motivos dos bloqueios em massa do WhatsApp. A plataforma não fornece detalhes específicos sobre quais regras foram supostamente violadas.

Débora relatou que seus contatos com a plataforma resultam apenas em respostas automatizadas. "O WhatsApp não especifica quais regras foram descumpridas. Quando você tenta contato, recebe apenas mensagens de inteligência artificial, sem chance de falar com uma pessoa", reclamou.

O WhatsApp afirma que pode banir contas que violem seus termos de serviço, incluindo envio de spam, aplicação de golpes e atividades que coloquem em risco a segurança de outros usuários. Usuários suspensos possuem o direito de solicitar uma revisão adicional. No entanto, a plataforma não se pronunciou sobre acusações de banimentos indevidos e injustificados.

Processo judicial contra a Meta

Débora decidiu processar a Meta, empresa-mãe do WhatsApp, buscando reverter o banimento de sua conta. Rafael Barreto, advogado que a representa, também enviou notificações extrajudiciais em nome de outros dois clientes com contas bloqueadas. Nenhuma resposta foi obtida da empresa até o momento.

"O WhatsApp está simplesmente suspendendo contas sem qualquer justificativa. Várias pessoas estão impedidas de trabalhar", afirmou Barreto. O advogado argumenta que a falta de esclarecimento sobre os motivos do banimento caracteriza uma falha grave da plataforma. "O WhatsApp deveria possuir uma política muito mais transparente e clara para seus usuários", complementou.

O que diz a legislação sobre direitos do consumidor

Luiz Augusto D'Urso, advogado especialista em direito digital, explica que plataformas podem aplicar penalidades, mas precisam de motivos legítimos e claramente comunicados. "Quando existe um banimento sem justificativas adequadas, e a plataforma se limita a afirmar que baniu por decisão própria, isso pode ser questionado juridicamente", afirmou.

Segundo D'Urso, se a plataforma não apresentar elementos razoáveis para sustentar o banimento durante um processo, é provável que o juiz determine a reversão da suspensão e a restauração do acesso. A Justiça brasileira já reconhece que usuários e plataformas mantêm relações de consumo.

Entretanto, o Código de Defesa do Consumidor não estabelece especificamente como as empresas devem estruturar seus canais de recursos ou justificativas. "Não existe norma legislativa que defina como isso deve acontecer", observou o especialista.

Caminhos para reverter o bloqueio

Usuários afetados pelo bloqueio devem começar utilizando os meios oferecidos pela própria plataforma. Ao receber a mensagem "Esta conta não pode usar o WhatsApp", é possível clicar em "Solicitar análise" para pedir revisão.

Se a empresa não responder adequadamente, D'Urso recomenda registrar reclamação no site consumidor.gov.br, junto ao Procon ou enviar uma notificação extrajudicial. Somente após esgotar essas medidas administrativas é aconselhável mover uma ação judicial contra a plataforma.

"O usuário deve primeiro exaurir as medidas administrativas e comunicação extrajudicial. Se as razões não forem apresentadas ou ele considerar o banimento injusto, aí sim cabe uma ação judicial", concluiu o advogado especialista em direito digital.

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