Em tempos de instabilidade financeira, uma das principais preocupações das famílias portuguesas é a gestão das suas finanças pessoais. No entanto, infelizmente, os portugueses continuam a enfrentar dificuldades em poupar dinheiro. De acordo com o estudo “Consumer Sentiment Survey 2025” realizado pelo Boston Consulting Group (BCG), 64% dos portugueses conseguem poupar menos de 10% do seu salário líquido, e ainda mais alarmante, 36% não conseguem guardar nem 5% do que recebem. Esses números representam um agravamento em relação a 2024, quando as percentagens eram de 61% e 38%, respetivamente.
Esses dados são preocupantes e levantam questões importantes sobre a educação financeira em Portugal. Por que os portugueses têm tanta dificuldade em poupar dinheiro? Será que não estão a receber salários suficientes? Ou será que não sabem gerir o seu dinheiro de forma eficiente? Essas são questões que merecem reflexão e um esforço coletivo para encontrar soluções.
Uma das razões que pode explicar a dificuldade dos portugueses em poupar está no facto de muitos não terem uma cultura de poupança. De acordo com o Banco de Portugal, em 2020, a taxa de poupança das famílias portuguesas foi de apenas 6,7%, uma das mais baixas da União Europeia. Isso significa que a maioria dos portugueses gasta tudo o que ganha, sem reservar uma parte para o futuro. Essa mentalidade de “viver o momento” pode trazer consequências negativas a longo prazo, especialmente em situações de crise económica como a que estamos a enfrentar atualmente.
Além disso, muitos portugueses não têm um plano financeiro claro e organizado. Não sabem quanto ganham, quanto gastam e, principalmente, quanto sobra para poupar. É comum encontrar famílias portuguesas que vivem acima das suas possibilidades, endividando-se com créditos e cartões de crédito, sem noção do impacto que isso terá no seu orçamento a longo prazo. A falta de planeamento financeiro é um problema sério que precisa de ser combatido.
Outro fator que pode explicar a dificuldade dos portugueses em poupar é a baixa literacia financeira. Muitos não têm conhecimentos básicos sobre como gerir o seu dinheiro, investir ou poupar para a sua reforma. Essa falta de conhecimento pode levar a más decisões financeiras e, consequentemente, a uma incapacidade de poupar para o futuro. É fundamental que o sistema educativo inclua a educação financeira nos seus currículos e que as entidades governamentais promovam iniciativas que ajudem os portugueses a adquirir essas competências.
No entanto, nem tudo é negativo. Apesar dos números desanimadores, o estudo do BCG também revela algumas mudanças positivas nos hábitos de poupança dos portugueses. Por exemplo, a percentagem dos que conseguem guardar entre 10% e 30% do seu salário aumentou de 15% em 2024 para 17% em 2025. Isso mostra que, apesar das dificuldades, é possível poupar dinheiro e que há uma maior consciência sobre a importância da poupança.
Além disso, a pandemia de COVID-19 teve um efeito positivo no comportamento de poupança dos portugueses. Segundo o estudo, 46% dos inquiridos afirmam ter aumentado as suas poupanças durante a pandemia. Isso pode ser explicado pelo medo do desemprego e pela incerteza em relação ao futuro, que levaram muitos a adotar uma postura mais conservadora em relação às suas


