Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado grandes desafios em relação às desigualdades sociais, especialmente quando se trata de raça e gênero. Apesar dos avanços conquistados, ainda há muito a ser feito para combater essas questões estruturais que afetam a vida de milhões de brasileiros. Para Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Pacto pelo Combate às Desigualdades, é preciso uma reforma tributária para enfrentar esse problema de forma efetiva.
Em uma entrevista recente, Lúcio destacou que a desigualdade no Brasil é um problema estrutural, que está enraizado em nosso sistema econômico e social. Segundo ele, é preciso uma mudança profunda na forma como o país lida com a distribuição de renda e recursos para que possamos avançar na luta contra as desigualdades.
Um dos principais pontos destacados por Lúcio é a necessidade de uma reforma tributária que seja justa e progressiva. Atualmente, o Brasil possui um sistema tributário altamente regressivo, ou seja, aqueles que ganham menos acabam pagando proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos. Isso contribui para a perpetuação das desigualdades, já que os mais pobres têm menos recursos para investir em educação, saúde e outros serviços essenciais.
Além disso, Lúcio ressalta que a questão racial é um fator determinante na desigualdade brasileira. Segundo ele, a população negra e indígena ainda enfrenta uma série de barreiras e discriminações que limitam suas oportunidades de acesso à educação, emprego e renda. Isso se reflete nos indicadores sociais, como a taxa de desemprego, que é maior entre a população negra, e a diferença salarial entre homens e mulheres, que é ainda mais acentuada quando se trata de mulheres negras.
Para o sociólogo, é preciso uma ação conjunta entre o governo, a sociedade civil e o setor privado para enfrentar esses desafios. Ele destaca a importância do Pacto pelo Combate às Desigualdades, uma iniciativa que reúne diversas organizações e movimentos sociais em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. O pacto tem como objetivo pressionar o governo para que adote políticas públicas efetivas de combate às desigualdades, além de promover ações de conscientização e mobilização da sociedade.
Outro ponto abordado por Lúcio é a necessidade de uma mudança cultural em relação às questões de raça e gênero. Ele ressalta que, além das políticas públicas, é preciso uma mudança de mentalidade para que possamos construir uma sociedade mais inclusiva e igualitária. Isso envolve a desconstrução de estereótipos e preconceitos, além de uma maior valorização da diversidade e do respeito às diferenças.
Apesar dos desafios, Lúcio acredita que é possível avançar na luta contra as desigualdades. Ele destaca que, nos últimos anos, houve um aumento na conscientização e mobilização da sociedade em relação a essas questões, o que é um passo importante para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. No entanto, é preciso que o governo assuma um papel mais ativo nesse processo, adotando políticas públicas efetivas e promovendo uma reforma tributária justa e progressiva.
Em resumo, a desigualdade no Brasil é um problema estrutural que exige uma ação conjunta e efetiva de todos os setores da sociedade. A reforma tributária é um passo fundamental para enfrentar esse problema, mas também é preciso uma mudança cultural e uma maior





