No dia 8 de janeiro de 2021, o mundo testemunhou cenas de violência e caos no Capitólio dos Estados Unidos, quando apoiadores do então presidente Donald Trump invadiram o prédio em uma tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais. Enquanto isso, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro enfrenta um processo de impeachment por atos que podem ser considerados antidemocráticos. Nesse contexto, o professor de ciência política de Harvard, Steven Levitsky, avaliou que a atuação das instituições brasileiras diante desses casos tem sido melhor do que a dos Estados Unidos.
De acordo com Levitsky, o Brasil se saiu melhor do que os EUA ao lidar com a ameaça à democracia representada pelos atos violentos de 8 de janeiro. Enquanto a invasão do Capitólio foi estimulada e minimizada pelo então presidente Trump, no Brasil, Bolsonaro foi criticado pelas atitudes que levaram à tentativa de invasão do Congresso Nacional no dia 23 de maio de 2020. Naquela ocasião, Bolsonaro discursou para seus apoiadores em frente ao Palácio do Planalto, incitando-os a marcharem em Brasília e ameaçando o Supremo Tribunal Federal (STF). A atuação da Polícia Federal e do STF, porém, foi rápida e efetiva para conter a ação dos manifestantes.
Além disso, o processo de impeachment contra Bolsonaro também é um exemplo da força das instituições brasileiras em proteger a democracia. Desde a Constituição de 1988, o Brasil já passou por três processos de impeachment, demonstrando que as instituições estão preparadas para lidar com atos de qualquer presidente que ameacem a democracia. No caso de Trump, apesar das tentativas, o Congresso não conseguiu condená-lo em seu primeiro processo de impeachment, mostrando a fragilidade das instituições americanas diante de uma crise democrática.
Levitsky também ressaltou a atuação do STF no Brasil, que tem sido fundamental para proteger a democracia. Diferente da Suprema Corte dos EUA, que possui um caráter mais conservador e tem sofrido interferências políticas do governo Trump, os ministros do STF têm se mantido independentes e atuando de forma efetiva para garantir o funcionamento das instituições democráticas. Eles têm sido responsáveis por barrar medidas inconstitucionais propostas por Bolsonaro, como a nomeação de um diretor da Polícia Federal por interferência política.
Além disso, a existência de partidos políticos fortes e uma opinião pública mais vigilante no Brasil também contribuem para a proteção da democracia brasileira. Após a tentativa de invasão do Congresso Nacional, a rejeição ao governo Bolsonaro aumentou significativamente no país, o que mostra que a população está atenta às ações do presidente e disposta a se mobilizar em defesa da democracia.
Outro fator importante é a resistência das instituições frente às pressões e ameaças do presidente e seus aliados. No Brasil, apesar de Bolsonaro e seus apoiadores tentarem enfraquecer e descredibilizar as instituições, estas têm se mostrado fortes e atuantes para manter a democracia em funcionamento. Isso pode ser observado em casos recentes, como a anulação das condenações do ex-presidente Lula e a investigação das fake news por parte do STF, que foram viabilizadas graças à resistência e independência das instituições.
Contudo, mesmo com uma atuação positiva das instituições brasileiras diante de casos antidemocráticos, é preciso estar atento e vigilante para mantê-las funcionando. O caso dos EUA é



