O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem sido uma voz ativa na luta pela reforma agrária no Brasil há décadas. Desde sua fundação em 1984, o movimento tem lutado por um acesso justo à terra e por melhores condições de vida para os trabalhadores rurais. No entanto, apesar de seus esforços incansáveis, a reforma agrária ainda é uma realidade distante para muitas famílias brasileiras.
Recentemente, o MST organizou uma ocupação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo para pressionar o governo a avançar na pauta da reforma agrária. A ocupação, que começou em 9 de agosto, contou com a participação de cerca de 500 famílias e foi batizada de “Acampamento Marielle Vive”, em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do MST, afirmou que a ocupação é uma forma de mostrar ao governo que os trabalhadores rurais estão dispostos a lutar por seus direitos. “Não vamos sair daqui até que a negociação aconteça e a reforma agrária avance”, afirmou Conceição.
O movimento cobra do governo a desapropriação de terras para a reforma agrária e a criação de assentamentos para as famílias sem terra. Segundo dados do Incra, mais de 9 milhões de hectares de terras públicas estão aptos para a reforma agrária, mas ainda não foram destinados para esse fim. Além disso, o governo Bolsonaro tem diminuído os recursos destinados à reforma agrária, o que tem dificultado ainda mais o processo.
A ocupação do Incra em São Paulo também teve como objetivo denunciar a ausência do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em uma reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião, que estava marcada para o dia 10 de agosto, foi cancelada de última hora pela ministra, que alegou problemas de agenda.
Para o MST, a ausência da ministra é uma demonstração de desrespeito com os trabalhadores rurais e com a pauta da reforma agrária. “Não é aceitável que a ministra, que deveria ser a responsável por discutir a reforma agrária no país, cancele uma reunião com o ex-presidente Lula, que é um dos principais defensores dessa pauta”, afirmou Conceição.
A reunião entre Lula e Tereza Cristina foi solicitada pelo próprio ex-presidente, que tem se reunido com diversos setores da sociedade para discutir propostas para o país. O MST vê com preocupação a falta de diálogo do governo com os movimentos sociais e acredita que essa é uma estratégia para enfraquecer a luta pela reforma agrária.
O movimento também tem sido alvo de ataques e criminalização por parte do governo Bolsonaro. Em abril deste ano, o presidente afirmou que iria “botar um ponto final em todos os ativismos no Brasil”, incluindo o MST. Além disso, o governo tem tentado deslegitimar o movimento, afirmando que os sem terra são “terroristas” e “vagabundos”.
No entanto, o MST segue firme em sua luta pela reforma agrária e pela defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. A ocupação do Incra em São Paulo é mais uma demonstração da força e da determinação desse movimento, que tem sido fundamental na construção de um país mais justo e igualitário.
É preciso que o governo ouça as demandas do MST e avance na pauta da reforma agrária.




