A capital portuguesa, Lisboa, tem como objetivo atingir a neutralidade carbónica até o ano de 2030. No entanto, a Associação Ambientalista GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) alerta que esse sucesso depende da superação de barreiras administrativas e do combate urgente à pobreza energética. Além disso, a cidade está abaixo do seu potencial solar e, por isso, a GEOTA propõe medidas para democratizar a energia na capital.
A neutralidade carbónica é um conceito que se refere ao equilíbrio entre as emissões de gases de efeito estufa e a sua absorção pela natureza. Isso significa que, para atingir esse objetivo, é necessário reduzir as emissões de carbono e, ao mesmo tempo, aumentar a absorção de CO2 através de medidas como o reflorestamento. A cidade de Lisboa tem um papel fundamental nesse processo, pois é responsável por cerca de 2% das emissões de gases de efeito estufa em Portugal.
No entanto, para alcançar a neutralidade carbónica até 2030, é preciso superar algumas barreiras administrativas. A GEOTA destaca que a burocracia e a falta de vontade política são os principais obstáculos para a implementação de medidas efetivas de combate às mudanças climáticas. Além disso, a falta de recursos financeiros também é uma preocupação, pois muitas vezes os projetos sustentáveis exigem um investimento inicial maior.
Outro desafio que precisa ser enfrentado é a pobreza energética. De acordo com a GEOTA, cerca de 20% da população de Lisboa vive em situação de pobreza energética, o que significa que não têm condições de pagar por serviços básicos de energia, como eletricidade e gás. Isso não só afeta diretamente a qualidade de vida dessas pessoas, mas também dificulta a transição para uma cidade mais sustentável, já que muitas vezes essas famílias não têm acesso a tecnologias mais limpas e eficientes.
Além disso, a cidade de Lisboa está abaixo do seu potencial solar. Apesar de ter um clima ensolarado, a capital portuguesa ainda não aproveita todo o potencial da energia solar. A GEOTA aponta que a falta de incentivos e políticas públicas efetivas são os principais motivos para essa situação. No entanto, a associação também destaca que a energia solar pode ser uma grande aliada na democratização da energia na cidade.
Para enfrentar esses desafios, a GEOTA propõe medidas que visam democratizar a energia em Lisboa. A primeira delas é a criação de um fundo de apoio à transição energética, que poderia ser financiado por meio de parcerias público-privadas e investimentos internacionais. Esse fundo seria destinado a projetos de energia renovável e eficiência energética em bairros mais vulneráveis, contribuindo para a redução da pobreza energética e para a transição para uma cidade mais sustentável.
Além disso, a associação também defende a criação de incentivos fiscais para a instalação de painéis solares em edifícios residenciais e comerciais, bem como a implementação de políticas de financiamento para a aquisição de equipamentos de energia renovável. Essas medidas poderiam estimular o uso de tecnologias mais limpas e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa na cidade.
Outra proposta da GEOTA é a criação de um programa de formação e capacitação para a população de baixa renda, visando o uso consciente da energia e a adoção de práticas mais sustentáveis no dia a dia. Além disso, a associação defende a inclusão de cláusulas de sustentabilidade em contratos públicos, garant





