De acordo com a primeira estimativa das “Contas Económicas da Agricultura – 2025” do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção de vinho em Portugal este ano será a mais baixa da última década. No entanto, apesar dessa notícia preocupante, há motivos para otimismo e confiança no setor vitivinícola nacional.
O vinho é uma das principais produções agrícolas de Portugal, ao lado do azeite, e tem um papel fundamental na economia do país. Segundo o INE, em 2019, a produção de vinho representou cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e gerou um valor acrescentado bruto de 1,1 mil milhões de euros. Além disso, o setor emprega diretamente mais de 50 mil pessoas e é responsável por um grande número de empregos indiretos.
No entanto, a produção de vinho em Portugal tem sido afetada por diversos fatores nos últimos anos, como as alterações climáticas, a escassez de mão-de-obra e a concorrência de outros países produtores. Este ano, a situação agravou-se com a pandemia de COVID-19, que trouxe desafios adicionais para os produtores, como a redução da procura e as restrições nas exportações.
Apesar desses desafios, a primeira estimativa das “Contas Económicas da Agricultura – 2025” do INE traz boas notícias para o setor vitivinícola. Apesar da baixa produção, espera-se que os vinhos portugueses tenham qualidade superior, com níveis de açúcar equilibrados e boa concentração aromática. Isso é resultado de um trabalho árduo e dedicado dos produtores, que têm investido cada vez mais em tecnologia e inovação para melhorar a qualidade dos seus vinhos.
Além disso, a baixa produção pode até ser benéfica para o setor a longo prazo. Com menos uvas disponíveis, os produtores terão que ser mais seletivos e cuidadosos na escolha das melhores uvas para a produção de vinho. Isso pode resultar em vinhos de maior qualidade e, consequentemente, em preços mais elevados no mercado.
Outro fator positivo é o aumento da procura por vinhos portugueses em mercados internacionais, como Estados Unidos, Canadá e China. Segundo dados do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), as exportações de vinho do Porto para a China aumentaram 37% no primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso mostra que os vinhos portugueses estão a ganhar cada vez mais reconhecimento e prestígio a nível internacional.
Além disso, o turismo enológico tem sido uma tendência crescente em Portugal, com cada vez mais turistas a visitarem as regiões vinícolas do país e a degustarem os seus vinhos. Isso tem contribuído para a promoção e divulgação dos vinhos portugueses no mercado internacional.
Outro fator importante a destacar é a aposta cada vez maior na sustentabilidade e na produção biológica no setor vitivinícola. Cada vez mais produtores estão a adotar práticas sustentáveis e a produzir vinhos biológicos, o que tem sido bem recebido pelos consumidores, que estão cada vez mais preocupados com a origem e a qualidade dos produtos que consomem.
Em suma, apesar da baixa produção de vinho em Portugal este ano, há motivos para otimismo e confiança no setor vitivinícola nacional. A qualidade superior dos vinhos, o aumento da procura internacional e a aposta na sustentabilidade são fatores





