Pagu, ou Patrícia Rehder Galvão, foi uma importante figura feminina no cenário artístico e cultural brasileiro do século XX. Além de escritora, jornalista, tradutora e militante política, Pagu também teve uma grande influência no teatro, sendo considerada uma das precursoras do teatro moderno no Brasil. Em sua obra, ela nos apresenta o palco como uma travessia, um espaço de transformação e libertação, onde as mulheres podem romper com as amarras sociais e expressar sua voz e sua arte.
Nascida em 1910, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Pagu teve uma infância marcada pela rebeldia e pela busca por liberdade. Desde cedo, ela questionava os padrões impostos pela sociedade à mulher, e isso se refletiu em sua atuação no teatro. Aos 17 anos, ela se mudou para a capital paulista e começou a se envolver com o movimento modernista, que pregava a ruptura com as formas tradicionais de arte e a busca por uma identidade cultural brasileira.
Foi nesse contexto que Pagu conheceu Oswald de Andrade, um dos principais líderes do modernismo no Brasil e seu futuro marido. Juntos, eles fundaram o Teatro da Experiência, que tinha como proposta a criação de um teatro livre, sem amarras e com uma linguagem própria, que dialogasse com a realidade do país. O Teatro da Experiência foi um marco na história do teatro brasileiro, pois trouxe uma nova forma de encenar, mais próxima do público e com uma forte crítica social.
No entanto, foi com a peça “O Homem e o Cavalo”, escrita por Pagu e encenada pelo Teatro da Experiência em 1934, que ela deixou sua marca no teatro brasileiro. A peça, que aborda a opressão e a luta pela liberdade, foi um grande sucesso de público e crítica, e trouxe à tona questões importantes sobre a condição da mulher na sociedade da época. Nela, Pagu nos apresenta o palco como um espaço de travessia, onde as personagens femininas são protagonistas de suas próprias histórias e não mais meras coadjuvantes.
A partir de então, Pagu se tornou uma importante figura na cena teatral brasileira, escrevendo e encenando diversas peças que abordavam temas como a liberdade, a luta de classes e a condição da mulher. Suas obras eram marcadas por uma linguagem inovadora e provocativa, que desafiava as convenções sociais e estimulava a reflexão.
Além de suas contribuições para o teatro brasileiro, Pagu também teve uma importante atuação no campo político e literário. Ela foi uma das fundadoras da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização de esquerda que lutava contra o fascismo e o autoritarismo, e também escreveu diversos livros, como “Parque Industrial” e “A Famosa Revista”, que retratam a realidade social e política do Brasil.
Infelizmente, Pagu teve uma vida conturbada e foi perseguida pelo regime ditatorial de Getúlio Vargas. Ela foi presa diversas vezes e passou longos períodos na cadeia, onde continuou escrevendo e lutando por seus ideais. Mesmo com todas as dificuldades, ela nunca deixou de acreditar na importância da arte e do teatro como instrumentos de transformação e resistência.
Hoje, olhando pelo retrovisor da história, podemos ver a importância do legado deixado por Pagu. Sua visão de um teatro livre, crítico e transformador continua atual e inspira artistas e espectadores até os dias de hoje. Seu olhar sobre o palco como uma travessia nos mostra que o teatro





