Associação Nacional de Cuidados Continuados pede revisão de aviso do PRR para investimento em pequenas obras e equipamentos
A Associação Nacional de Cuidados Continuados (ANCC) emitiu uma nota à Agência Lusa, expressando sua preocupação com o recente aviso lançado pelo governo no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo a ANCC, esse aviso tem como objetivo desesperado gastar verbas do PRR, sem levar em conta as necessidades reais das instituições de cuidados continuados.
O aviso em questão foi lançado em 28 de novembro com o propósito de permitir que entidades se candidatassem a pequenas obras e compras de equipamentos para melhorar sua infraestrutura e serviços. No entanto, de acordo com a ANCC, essa iniciativa não está tendo os resultados esperados, pois até o momento não houve nenhuma candidatura e provavelmente não haverá. Isso porque as instituições não estão dispostas a se comprometer com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) por um período de 20 anos em troca de migalhas.
É compreensível que as instituições de cuidados continuados tenham essa postura. Afinal, essa é uma área extremamente importante e delicada, que demanda investimentos significativos para garantir um atendimento de qualidade e dignidade aos seus utentes. Além disso, essas instituições enfrentam grandes desafios, como a falta de financiamento adequado e a burocracia excessiva, que dificultam ainda mais seu trabalho.
Diante dessa situação, a ANCC solicita ao governo que reveja o aviso do PRR e inclua medidas mais efetivas e abrangentes para o setor de cuidados continuados. É preciso levar em consideração as reais necessidades das instituições e garantir que esses recursos sejam aplicados de forma estratégica e responsável.
Não podemos esquecer que os cuidados continuados têm por objetivo oferecer tratamento, reabilitação e cuidados paliativos a pessoas com necessidades especiais, como idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos. São essas instituições que acolhem e cuidam de pessoas em situações vulneráveis, muitas vezes sem condições financeiras de arcar com os custos desses cuidados.
É importante destacar que a ANCC não é contra o PRR, pelo contrário. Acredita que esse plano pode ser uma oportunidade para o desenvolvimento e melhoria dos serviços de cuidados continuados em Portugal. No entanto, é fundamental que o governo trabalhe em parceria com as instituições e ouça suas necessidades e demandas, em vez de impor medidas que não consideram a realidade do setor.
A ANCC ressalta que, se devidamente aplicados, esses recursos podem trazer avanços significativos para as instituições de cuidados continuados e, consequentemente, para a qualidade de vida dos utentes. Além disso, esses investimentos poderiam gerar empregos e contribuir para o crescimento econômico do país.
Portanto, é necessário que o governo reveja esse aviso do PRR e dialogue com as instituições para encontrar soluções efetivas e sustentáveis para os cuidados continuados em Portugal. É preciso compreender a importância dessa área e investir nela de forma adequada e responsável.
A ANCC reforça seu compromisso em continuar trabalhando em prol da melhoria dos cuidados continuados em Portugal e espera que o governo ouça suas reivindicações e atue em conjunto para alcançar esse objetivo. Acreditamos que, juntos, podemos construir um futuro melhor para os utentes e para o país como um todo.





