Nos últimos anos, o tema da descarbonização tem ganhado cada vez mais destaque na pauta mundial. A necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos das mudanças climáticas tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e sustentáveis. No Brasil, um país com uma das maiores biodiversidades do mundo, o protagonismo do etanol na descarbonização é inegável.
Mas afinal, o que é descarbonização? Podemos definir como o processo de redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2), que é o principal responsável pelo aquecimento global. Isso significa buscar alternativas para diminuir ou até mesmo eliminar a utilização de combustíveis fósseis, que são os grandes emissores de gases poluentes.
Nesse contexto, o Brasil se destaca por ser um dos principais produtores de etanol do mundo. O combustível, obtido a partir da cana-de-açúcar, tem sido amplamente utilizado como substituto da gasolina nos veículos de passeio no país. Com a eletrificação ganhando espaço na indústria automotiva, muitos podem se perguntar se o etanol perderá seu protagonismo na descarbonização. De acordo com especialistas, a resposta é não.
Isso porque, apesar dos avanços em tecnologias de eletrificação, como carros elétricos e híbridos, ainda há uma longa estrada a ser percorrida para que eles sejam viáveis em grande escala no Brasil. Além disso, o etanol tem uma vantagem significativa em relação à eletrificação: pode ser utilizado não só em veículos de passeio, mas também em aeronaves e navios.
De acordo com estudos do Ministério de Minas e Energia, a aviação e o transporte marítimo são responsáveis por cerca de 3% das emissões globais de CO2. No Brasil, esse número chega a 10%, principalmente devido ao transporte de cargas. Com a projeção de aumento da demanda por viagens aéreas e marítimas, é urgente buscar alternativas mais sustentáveis para esses setores. E é aí que o etanol entra em cena.
O etanol já vem sendo utilizado em pequena escala em aviões e navios, mas ainda há desafios a serem superados para sua utilização em larga escala. A principal questão é a adaptação das aeronaves e navios para utilizarem o combustível e a construção de infraestrutura para abastecimento. No entanto, o potencial do etanol para descarbonizar esses setores é inegável, e já há iniciativas sendo desenvolvidas para tornar isso viável.
Um exemplo é o projeto piloto de uma aeronave movida a etanol, desenvolvida pela Embraer e pela empresa aérea Azul. A aeronave possuiu motores híbridos, que podem funcionar tanto com etanol quanto com querosene de aviação. O voo inaugural ocorreu em 2019 e foi considerado um sucesso, mostrando que é possível utilizar o etanol como combustível de aviação.
Além disso, o Brasil possui uma das maiores frotas de navios a etanol do mundo. A iniciativa privada tem investido em navios movidos a esse biocombustível para o transporte de açúcar e etanol, reduzindo significativamente as emissões de CO2. Há também projetos em desenvolvimento para adaptar navios de grande porte para utilizarem etanol, o que pode ser um grande avanço para o transporte marítimo.
Outro ponto importante a ser destacado é que, além de ser uma alternativa mais sustentável, o etanol é um combustível renovável e produzido a partir de fontes nacionais, o que contribui para a independência energética do país.




