Desde a sua criação em 1999, o Banco Central Europeu (BCE) tem como principal objetivo manter a estabilidade dos preços na zona euro, através do controle da inflação e do crescimento econômico. Para isso, a instituição tem o poder de definir a política monetária, que inclui a definição da taxa de juros e a implementação de medidas para estimular a economia ou controlar a inflação. Porém, nas últimas reuniões do Conselho do BCE, uma decisão chamou a atenção: a manutenção dos juros inalterados em outubro, ao contrário do que foi feito pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Essa medida foi liderada por Christine Lagarde, primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do BCE, e tem gerado debate e questionamentos sobre quais foram os motivos por trás dessa decisão.
Antes de adentrarmos nas razões da manutenção dos juros, é importante entender o contexto em que essa decisão foi tomada. Atualmente, a zona euro enfrenta alguns desafios econômicos, como a desaceleração do crescimento e a baixa inflação. No segundo trimestre de 2019, o PIB da zona euro cresceu apenas 0,2%, a menor taxa desde o final de 2013. Além disso, a inflação continua abaixo da meta de 2% estabelecida pelo BCE, alcançando apenas 0,8% em setembro deste ano. Diante desses indicadores, era esperado que o BCE adotasse medidas para estimular a economia e controlar a inflação, como uma possível redução da taxa de juros.
Porém, na reunião de outubro, o BCE surpreendeu o mercado ao manter os juros em 0%, mesmo com as expectativas de uma possível redução para -0,1%. Essa medida foi contrária à decisão do Fed, que cortou a taxa de juros em 0,25% no mesmo mês. O anúncio foi feito pelo presidente do BCE, Mario Draghi, mas a decisão foi liderada por Christine Lagarde, que assumiu o cargo apenas em novembro deste ano.
Uma das justificativas de Lagarde para a manutenção dos juros foi o fato de que a zona euro já possui uma política monetária acomodatícia, ou seja, com juros baixos, que visam estimular o consumo e o investimento. No entanto, não é possível negar que a decisão também teve um componente político, já que Lagarde precisava mostrar sua disposição em continuar o trabalho do seu antecessor, que foi muito bem-sucedido em manter a estabilidade econômica da região.
Outro fator que pode ter influenciado a decisão de manter os juros foi a incerteza gerada pelo Brexit. O Reino Unido, que é um importante parceiro comercial da zona euro, está passando por um processo de saída da União Europeia que tem impactado a economia de ambos os lados. Além disso, o conflito comercial entre Estados Unidos e China também tem gerado incertezas e afetado o crescimento econômico global.
Além desses fatores, a própria política monetária do BCE tem suas limitações. Com os juros já em 0% e o programa de compra de ativos encerrado, as medidas disponíveis para estimular a economia se tornam mais limitadas. Além disso, alguns membros do Conselho do BCE, como o presidente do banco central da Alemanha, Jens Weidmann, têm demonstrado resistência em adotar medidas mais agressivas e preferem dar mais tempo para avaliar a eficácia das medidas já adotadas.
A decisão do BCE também foi influenciada pelas divergências entre os países membros da zona euro. Há uma diferença significativa entre as economias dos países do norte e do sul, que torna difícil adotar




