A escritora chilena Lina Meruane é conhecida por sua escrita provocativa e visceral. Em seu mais recente livro, “Nuestra Señora de la Soledad”, ela aborda questões de memória, feminismo e a luta contra a opressão de uma forma intensa e pessoal. Em uma recente entrevista, Meruane compartilhou suas vivências e reflexões sobre esses temas, oferecendo uma visão poderosa sobre o que significa ser mulher e lutar por justiça em um mundo que muitas vezes nos silencia e oprime.
Em “Nuestra Señora de la Soledad”, Meruane mergulha em suas memórias de infância no Chile, explorando de forma crua e corajosa as relações familiares e sociais que moldaram sua identidade. Ela relembra a figura de sua avó, uma mulher forte e determinada que lutou contra a pobreza e o machismo em uma sociedade patriarcal. Essa figura materna se torna uma espécie de mentora para Meruane, inspirando-a a seguir seu caminho como escritora e feminista.
No livro, Meruane também fala sobre a opressão que sofreu como mulher em sua própria família. Ela conta como, desde cedo, foi ensinada a ser submissa e a se encaixar nos padrões impostos pela sociedade. Mas, ao contrário de muitas mulheres, Meruane se recusou a aceitar essa opressão e decidiu lutar contra ela. Ela questiona os papéis de gênero e os estereótipos que são impostos às mulheres, e denuncia o silêncio que muitas vezes nos é imposto quando tentamos falar sobre nossas experiências e nossas dores.
Meruane também aborda em seu livro a questão da memória, que para ela é uma ferramenta fundamental na luta contra a opressão. Ela acredita que é preciso resgatar e dar voz às memórias silenciadas, às histórias esquecidas e às experiências marginalizadas, para que possamos entender o presente e construir um futuro mais justo e igualitário. Em sua escrita, Meruane nos convida a refletir sobre o papel da memória em nossas vidas e em nossa sociedade, e nos mostra como ela pode ser uma arma poderosa na busca por justiça e transformação.
Para Meruane, o feminismo é uma luta constante e urgente. Ela acredita que as mulheres precisam se unir e se apoiar mutuamente para enfrentar a opressão e a violência que ainda sofremos em nossas sociedades. Em sua entrevista, ela destaca a importância de dar voz e espaço para as mulheres e suas experiências, e de questionar as estruturas patriarcais que nos limitam e nos oprimem.
Ao falar sobre o feminismo, Meruane também destaca a importância de reconhecer as interseccionalidades das opressões. Ela enfatiza que as lutas das mulheres não podem ser separadas das lutas de outras minorias e grupos marginalizados. Para ela, é preciso construir alianças e solidariedade entre diferentes frentes de luta, para que possamos alcançar uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos.
Em “Nuestra Señora de la Soledad” e em suas reflexões, Meruane nos mostra que a luta contra a opressão é urgente e necessária. Sua escrita poderosa e autêntica nos convida a questionar as estruturas de poder e a buscar uma transformação profunda em nossa sociedade. Por meio de suas memórias e experiências, ela nos lembra que a luta feminista é uma luta de todas e todos, e que juntos podemos construir um mundo mais justo e igualitário para todas as mulheres.
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