Calar diante de cada feminicídio é aceitar que a morte de mulheres faz parte da normalidade. Infelizmente, essa é uma realidade que ainda persiste em nossa sociedade, mesmo com todos os avanços conquistados pelas mulheres ao longo dos anos. O feminicídio é um crime de ódio baseado no gênero, que tem como alvo principal as mulheres, e é uma das formas mais extremas de violência de gênero.
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2019, foram registrados mais de 1.300 casos de feminicídio no Brasil. Isso significa que, em média, a cada oito horas, uma mulher é assassinada por ser mulher. Além disso, a cada duas horas, uma tentativa de feminicídio é registrada no país. Esses números são alarmantes e mostram que o machismo e a cultura do patriarcado ainda estão enraizados em nossa sociedade.
No entanto, o que mais chama a atenção é o silêncio que envolve esses casos. Muitas vezes, os feminicídios são tratados como “crimes passionais” ou “briga de casal”, minimizando a gravidade do problema e culpabilizando a vítima. Além disso, a mídia muitas vezes não dá a devida atenção a esses casos, o que contribui para a invisibilidade das mulheres vítimas de feminicídio.
O silêncio também é alimentado pelo medo. Muitas mulheres têm medo de denunciar seus agressores, pois temem represálias ou até mesmo a morte. Isso acontece porque, muitas vezes, os agressores são pessoas próximas, como companheiros, ex-companheiros, familiares ou conhecidos. Além disso, a falta de estrutura e apoio do Estado para garantir a segurança das mulheres também contribui para o medo e a omissão.
É preciso romper com esse ciclo de silêncio e medo. É preciso falar sobre o feminicídio e denunciar os agressores. É preciso entender que o feminicídio não é um crime passional, mas sim um crime de ódio, motivado pelo machismo e pela cultura do patriarcado. É preciso entender que a morte de uma mulher não pode ser tratada como algo normal ou aceitável.
Além disso, é fundamental que o Estado assuma sua responsabilidade na proteção das mulheres. É preciso garantir políticas públicas efetivas de prevenção e combate à violência de gênero, além de uma estrutura adequada para acolher e proteger as mulheres vítimas de violência. É preciso também que a mídia dê visibilidade aos casos de feminicídio, de forma responsável e sem sensacionalismo, para conscientizar a sociedade sobre a gravidade desse problema.
Não podemos mais aceitar que a morte de mulheres seja tratada como algo normal ou aceitável. Cada feminicídio é uma vida perdida, uma família destruída, uma comunidade que perde uma de suas integrantes. É preciso quebrar o silêncio, enfrentar o medo e a omissão, e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária para as mulheres.
É importante lembrar que o feminicídio é apenas a ponta do iceberg. A violência contra as mulheres acontece diariamente, de diversas formas, e é preciso combatê-la em todas as suas manifestações. É preciso desconstruir o machismo e a cultura do patriarcado, que alimentam a violência de gênero. É preciso educar nossos filhos e filhas para que cresçam em uma sociedade mais igualitária e respeitosa.
Não podemos mais calar diante de cada feminicídio. É preciso falar, denunciar, lutar. A vida das



