No último sábado (16), a cidade de Porto Alegre foi palco de um evento que reafirmou a pista de dança como um território negro e transformou o espaço em um quilombo contemporâneo. O Batukbaile, que já é conhecido por promover encontros de ritmos negros, trouxe uma edição especial que contou com a presença de artistas renomados e uma programação diversificada.
O evento, que aconteceu no Bar Ocidente, reuniu pessoas de diferentes idades, gêneros e etnias em uma celebração da cultura negra. A pista de dança foi tomada por uma energia contagiante, com ritmos que vão desde o samba até o hip hop, passando pelo funk e o afrobeat. O objetivo do Batukbaile é justamente promover a diversidade e a inclusão, mostrando que a música e a dança são ferramentas poderosas de resistência e empoderamento.
A escolha do local não foi por acaso. O Bar Ocidente, que fica no bairro boêmio de Porto Alegre, é conhecido por ser um espaço de resistência e luta. Durante a ditadura militar, o local foi palco de manifestações e encontros de artistas e intelectuais que lutavam pela liberdade de expressão. E agora, mais uma vez, o espaço se tornou um ponto de encontro para a comunidade negra e para aqueles que se identificam com a cultura afro-brasileira.
O Batukbaile é uma iniciativa que surgiu em 2017, idealizada pelo DJ e produtor cultural, Rafa Rubim. O evento nasceu da necessidade de criar um espaço onde a cultura negra pudesse ser celebrada e valorizada. Segundo Rafa, a ideia é “reafirmar a pista de dança como um território negro, onde a música e a dança são instrumentos de resistência e de luta contra o racismo”.
E essa luta se reflete na programação do Batukbaile, que sempre traz artistas negros e periféricos para se apresentarem. Nesta edição, o evento contou com a presença de nomes como a rapper Tássia Reis, o grupo de samba Ilê Aiyê e o DJ KL Jay, do lendário grupo Racionais MC’s. Além disso, o Batukbaile também abriu espaço para artistas locais, como o grupo de dança AfroSul e o DJ Nego Moçambique.
O ponto alto da noite foi a apresentação do grupo Ilê Aiyê, que trouxe toda a sua energia e tradição para o palco. Fundado em 1974, o Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro do Brasil e tem como objetivo valorizar a cultura negra e combater o racismo através da música e da dança. Com suas batidas percussivas e coreografias marcantes, o grupo conquistou o público e mostrou que a tradição e a modernidade podem caminhar juntas.
Além das apresentações musicais, o Batukbaile também contou com uma feira de empreendedorismo negro, onde artistas e empreendedores locais puderam expor e vender seus produtos. A feira foi uma oportunidade de fortalecer a economia negra e mostrar a diversidade de talentos que existem na comunidade.
O evento também teve um cunho social, arrecadando alimentos não perecíveis que serão doados para instituições que atendem comunidades carentes. Essa ação solidária é mais uma forma de mostrar que a cultura negra vai além da música e da dança, e também se preocupa com o bem-estar e a igualdade social.
O Batukbaile é um exemplo de como a cultura negra está cada vez mais presente e atuante na sociedade. Através da música e da dança, o evento




