O tema da segurança pública tem sido uma das principais preocupações dos brasileiros nos últimos anos. A violência nas periferias e a atuação da polícia têm sido amplamente debatidas, principalmente após a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro, que prometeu uma política de segurança mais dura e o fortalecimento das forças policiais.
No entanto, para o escritor e ativista político, Guilherme Boulos, a abordagem do governo atual em relação à segurança pública não é uma novidade. Em um debate realizado na Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes), Boulos afirmou que a polícia brasileira já aplica a chamada “palestinização” das periferias há muito tempo.
O termo “palestinização” se refere à situação vivida pelos palestinos, que são constantemente alvo de violência e repressão por parte do Estado de Israel. Boulos explica que, da mesma forma, as periferias brasileiras são tratadas como territórios ocupados, onde a polícia age de forma truculenta e violenta, sem respeitar os direitos humanos.
Essa abordagem, segundo o escritor, é uma herança da ditadura militar e não é subvertida por governos progressistas, como o de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “O tema da segurança pública é a peça central do ‘ovo da serpente’ da direita brasileira. É um tema que eles usam para justificar a repressão e a violência contra as classes populares”, afirma Boulos.
Para o escritor, é preciso repensar a política de segurança pública no Brasil, que tem como base o enfrentamento armado e a militarização das periferias. “Não é possível resolver a violência com mais violência. É preciso investir em políticas sociais, em educação, em cultura, em moradia digna. Essas são as verdadeiras armas para combater a violência”, defende.
Boulos também ressalta que a violência nas periferias não é uma questão isolada, mas está diretamente ligada à desigualdade social e ao racismo estrutural que ainda persistem no país. “A polícia brasileira é uma das que mais mata no mundo, e a maioria das vítimas é composta por jovens negros e pobres. Isso não é coincidência, é reflexo de uma sociedade que ainda é profundamente racista e desigual”, afirma.
O escritor ainda destacou a importância da união entre as lutas por direitos humanos e a luta contra a violência nas periferias. “Não podemos falar em direitos humanos sem falar em segurança pública. Precisamos unir essas lutas e mostrar que a violência não é uma solução, mas sim parte do problema”, ressalta.
O debate sobre segurança pública é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É preciso repensar a forma como a polícia atua nas periferias e buscar soluções que não sejam baseadas na violência e na repressão. Além disso, é necessário combater o racismo e a desigualdade social, que são as raízes da violência em nosso país.
Portanto, é importante que a sociedade esteja atenta e engajada nessa discussão, cobrando do poder público políticas efetivas e respeito aos direitos humanos. A palestinização das periferias não pode mais ser tolerada, é preciso lutar por uma segurança pública que seja para todos e todas, sem exceção.



