A cidade de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, foi palco da 48ª Romaria da Terra e das Águas, que reuniu cerca de 5 mil romeiros de diversas regiões do país. O encontro, que aconteceu entre os dias 19 e 22 de julho, teve como tema central “Terra, Água e Luta: Por Justiça Social e Vida Digna”. Além de ser um momento de fé e devoção, a romaria também foi marcada por denúncias de aumento da violência e da criminalização de lutadores populares.
A romaria é um evento tradicional que acontece todos os anos em Bom Jesus da Lapa, considerado um dos maiores centros de peregrinação do Brasil. Os romeiros vêm em busca de curas, milagres e renovação da fé, mas também para reforçar a luta por direitos e justiça social. Este ano, a romaria teve um significado ainda mais forte, diante do atual contexto político e social do país.
Durante os quatro dias de encontro, foram realizadas diversas atividades, como missas, novenas, procissões e momentos de reflexão sobre temas como a defesa da terra, das águas e dos direitos dos povos tradicionais. A programação também contou com debates, oficinas, feira de economia solidária e apresentações culturais.
Um dos destaques da romaria foi a participação de lideranças de movimentos sociais e populares, que trouxeram suas denúncias e lutas para o centro das discussões. Entre elas, estavam representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e de comunidades quilombolas.
Em um momento de grande comoção, foi realizada uma homenagem às vítimas da violência no campo, com a leitura dos nomes de lideranças camponesas assassinadas nos últimos anos. O ato também denunciou o aumento da violência contra os povos do campo, que têm sido alvo de ameaças, criminalização e até mesmo mortes por defenderem seus direitos e seus territórios.
Outro tema abordado na romaria foi a criminalização dos lutadores populares. Muitas lideranças têm sido alvo de processos judiciais injustos, com o objetivo de desmobilizar e enfraquecer suas lutas. Essa prática é uma forma de repressão e perseguição aos movimentos sociais, que lutam por direitos fundamentais e por uma sociedade mais justa.
A romaria também foi um espaço de resistência e de fortalecimento da luta por direitos. Durante os debates e oficinas, foram discutidas estratégias de enfrentamento aos retrocessos e ataques aos direitos sociais, ambientais e trabalhistas. Além disso, a feira de economia solidária mostrou a importância da produção agroecológica e do cooperativismo como alternativas ao modelo de desenvolvimento que explora e degrada o meio ambiente.
A presença de lideranças religiosas, como o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e o bispo de Bom Jesus da Lapa, Dom João Santos Cardoso, reforçou a importância da religião na luta por justiça social. Em suas falas, eles destacaram a necessidade de unir fé e ação, de modo a transformar a realidade e construir um mundo mais justo e solidário.
Ao final da romaria, os romeiros se despediram com a certeza de que a luta por direitos e justiça social é uma missão que deve ser mantida e fortalecida. A 48ª Romaria da Terra e das Águas foi




