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Início » Cinema em Moçambique “continua vivo, mas com algumas feridas”

Cinema em Moçambique “continua vivo, mas com algumas feridas”

Cinema em Moçambique “continua vivo, mas com algumas feridas”

in Сultura
Tempo de leitura: 3 mins read

O cinema é uma das formas mais poderosas de arte, capaz de nos transportar para outras realidades e nos fazer refletir sobre questões importantes. Em Moçambique, essa forma de expressão ganhou força nos anos 80, quando o país vivia um período de grande efervescência cultural e política. O realizador Sol de Carvalho, em recente entrevista à Agência Lusa, revelou que na época o cinema chegou a ser a terceira instituição mais lucrativa do Estado, perdendo apenas para a extração de recursos naturais e a exploração de petróleo. No entanto, hoje em dia, a situação é completamente diferente e o cinema moçambicano está sofrendo com a falta de financiamento. Mas como chegamos a essa situação e o que pode ser feito para reverter esse quadro?

Nos anos 80, o cinema em Moçambique estava em pleno crescimento, com um grande número de produções e uma audiência cada vez maior. Filmes como “Mueda, Memória e Massacre” (1979), de Ruy Guerra, e “A Última Prostituta” (1982), de João Ribeiro, foram sucesso de público e crítica, trazendo à tona questões sociais e políticas do país. Além disso, o Instituto Nacional de Cinema, criado em 1978, permitiu o financiamento de produções locais e a formação de profissionais da área. O resultado disso foi um cinema moçambicano forte e relevante, que ganhou projeção internacional.

No entanto, a partir dos anos 90, o cenário começou a mudar. Com a instabilidade política e econômica, o país passou por uma crise financeira que afetou diretamente o setor cultural. A falta de recursos e a ausência de políticas públicas voltadas para o cinema resultaram na diminuição da produção de filmes e no desinteresse das grandes distribuidoras em exibir produções moçambicanas. Além disso, a ausência de salas de cinema em algumas regiões do país dificultou ainda mais o acesso da população às produções locais.

De acordo com Sol de Carvalho, a falta de financiamento é o principal fator que tem afetado o cinema em Moçambique. O realizador, que possui mais de 30 anos de experiência na área, afirma que os cineastas moçambicanos enfrentam grandes dificuldades para conseguir recursos para suas produções. Além disso, a burocracia e a falta de profissionais capacitados para gerir os projetos também representam um grande obstáculo.

No entanto, é importante ressaltar que, mesmo com todas essas dificuldades, o cinema moçambicano não deixou de existir. Os cineastas continuam lutando para manter viva a produção local e trazer à tona questões importantes da sociedade. Um exemplo disso é o filme “Comboio de Sal e Açúcar” (2016), de Licínio Azevedo, que aborda a guerra civil que assolou o país e conquistou prêmios em festivais internacionais. Além disso, existem iniciativas como o Festival Internacional de Cinema de Maputo (FICM), que busca fomentar a produção e difusão do cinema em Moçambique.

Para reverter a atual situação do cinema no país, é necessário que medidas sejam tomadas tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada. É fundamental que o Estado invista em políticas públicas que incentivem a produção audiovisual, como a criação de fundos de financiamento e a implementação de programas de formação. Além disso, é importante que haja uma maior colaboração entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o que poderia facilitar a coprodução de filmes e aumentar a circulação das produções moç

Tags: Prime Plus

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