A atriz Nicole Kidman, uma das figuras mais respeitadas e talentosas de Hollywood, usou sua voz e influência durante o Festival de Cinema de Cannes, na França, para abordar um tema importante e atual: a falta de representatividade feminina na indústria cinematográfica.
Durante uma coletiva de imprensa, Kidman expressou sua tristeza e frustração ao falar sobre o baixo número de filmes dirigidos por mulheres nos Estados Unidos, especialmente aqueles que se tornaram grandes sucessos de bilheteria. Segundo ela, essa realidade é “incrivelmente baixa” e precisa ser mudada.
A atriz, que atualmente estrela a série “Big Little Lies”, produzida por um grupo majoritariamente feminino, destacou que é importante que as mulheres tenham a oportunidade de contar suas histórias e mostrar sua visão através do cinema. Ela também enfatizou a importância de ter mais diversidade por trás das câmeras, incluindo mulheres de diferentes etnias e idades.
Kidman não está sozinha em sua luta pela igualdade de gênero na indústria cinematográfica. Outras atrizes renomadas, como Cate Blanchett e Jessica Chastain, também já se manifestaram sobre o assunto. Blanchett, inclusive, liderou o protesto de mulheres no tapete vermelho do Festival de Cannes em 2018, pedindo por mais oportunidades e reconhecimento para as cineastas mulheres.
Apesar de parecer um problema recente, a falta de representatividade feminina no cinema é uma questão antiga e que vem sendo debatida há anos. Em 2015, a diretora Ava DuVernay se tornou a primeira mulher negra a ter um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme, com “Selma”. No mesmo ano, a diretora Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Direção, com o filme “Guerra ao Terror”. Esses são apenas alguns exemplos de como a indústria ainda é dominada por homens.
No entanto, é importante ressaltar que as mulheres estão cada vez mais conquistando seu espaço na direção e produção de filmes. Em 2019, o filme “Capitã Marvel”, dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck, se tornou a primeira produção da Marvel a ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares em bilheteria. Além disso, o Oscar de Melhor Direção foi entregue a uma mulher pela segunda vez em 2020, para a diretora Chloé Zhao, por seu trabalho em “Nomadland”.
Ainda assim, essas conquistas não podem ser vistas como uma solução definitiva para a falta de representatividade feminina no cinema. É preciso continuar lutando por mais oportunidades e reconhecimento para as mulheres, especialmente aquelas que pertencem a grupos minoritários e que enfrentam ainda mais barreiras e desafios.
Além disso, é importante que o público também faça sua parte, apoiando e prestigiando as produções femininas. Afinal, são as bilheterias que determinam o sucesso de um filme e, consequentemente, a continuidade de carreira de uma cineasta.
Nicole Kidman, assim como outras atrizes e cineastas, está dando um importante passo ao usar sua voz e influência para falar sobre esse assunto. E é preciso que essa discussão continue, para que, um dia, possamos ver um número igualitário de filmes dirigidos por mulheres no topo das bilheterias de Hollywood.
Portanto, é hora de abraçarmos a diversidade e a representatividade feminina no cinema. É hora de dar espaço para que as mulheres contem suas histórias e mostrem sua visão única do mundo através da arte. É hora de mudar essa realidade “incrivelmente baixa” e construir um futuro mais igualitário e justo para as mulheres na indústria




