Na última quinta-feira (5), durante a 5ª Feira da Reforma Agrária, realizada em São Paulo, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, apresentou propostas do movimento para lidar com a crise climática e promover a agroecologia no Brasil.
Com o tema “Agroecologia: cultivo da terra, água e vida”, a feira teve como objetivo principal mostrar a importância da produção agroecológica e camponesa para a sociedade e o meio ambiente. Além disso, foi um espaço de troca de experiências e conhecimentos entre os trabalhadores rurais e a população em geral.
Em sua fala, Stedile abordou a urgência de se repensar o modelo de produção agrícola no país, que atualmente é baseado no agronegócio e na monocultura, altamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores e consumidores. Segundo o líder do MST, é necessário que se promova uma transição agroecológica para garantir a sustentabilidade do planeta e a soberania alimentar.
Para isso, o MST apresentou uma série de propostas que incluem a defesa da reforma agrária, a valorização dos trabalhadores rurais, a preservação dos recursos naturais e a promoção da agricultura familiar e camponesa. Stedile ressaltou a importância de se fortalecer a agricultura familiar, que é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil.
Outra proposta do movimento é a criação de uma política nacional de agroecologia, que promova o uso de técnicas agrícolas sustentáveis e respeitosas com o meio ambiente. Essa política deve incluir a implementação de programas de educação e capacitação para os trabalhadores rurais, incentivando a adoção de práticas agroecológicas.
Além disso, o MST também defende a regulamentação da produção de alimentos orgânicos e a proibição do uso de agrotóxicos, que são extremamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Stedile enfatizou que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e que é preciso mudar essa realidade.
Outro ponto abordado pelo líder do MST foi a importância de se fortalecer a economia camponesa e local, em detrimento do modelo de produção voltado para a exportação. Segundo ele, é necessário que a produção de alimentos esteja ligada às necessidades da população e não aos interesses do mercado internacional.
Ao final de sua fala, Stedile reforçou que a crise climática é uma consequência direta do modelo de produção capitalista e que é preciso lutar por um novo modelo que respeite a natureza e os trabalhadores rurais. Ele também destacou a importância da união entre os movimentos sociais e ambientais para enfrentar essa crise.
A 5ª Feira da Reforma Agrária reuniu cerca de 1.500 trabalhadores rurais de todo o país, além de representantes de movimentos sociais, organizações não governamentais e da sociedade civil. O evento contou com a participação de artistas e intelectuais, que se juntaram à luta pela defesa da reforma agrária e da agroecologia.
Com suas propostas e ações, o MST mostra seu compromisso com a construção de um mundo mais justo e sustentável. A 5ª Feira da Reforma Agrária foi mais uma demonstração de que a luta pela terra e por uma agricultura agroecológica é também uma luta pela preservação do planeta e pela garantia de uma vida digna para todos.





