A metodologia atual de financiamento pode estar abrindo caminho para o cultivo de eucalipto, mas isso pode ter consequências negativas para o meio ambiente, o território e a aceitação social. Essa é a preocupação levantada pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), uma organização não governamental que atua na defesa do meio ambiente em Portugal.
O eucalipto é uma árvore originária da Austrália, mas que se adaptou muito bem ao clima e solo português. Por isso, é uma das espécies mais cultivadas no país, principalmente para a produção de celulose e papel. No entanto, o seu cultivo em larga escala tem gerado polêmica e preocupação por parte de ambientalistas e comunidades locais.
De acordo com o GEOTA, a metodologia atual de financiamento pode incentivar o cultivo de eucalipto em áreas que antes eram destinadas à agricultura ou à preservação ambiental. Isso porque, segundo a organização, o financiamento indireto de plantações de eucalipto é mais vantajoso para os proprietários de terras do que outras opções de uso do solo.
Essa metodologia funciona da seguinte forma: o proprietário da terra recebe um incentivo financeiro para plantar eucalipto, mas não precisa arcar com os custos de manutenção e colheita da árvore. Essa responsabilidade fica a cargo de empresas que compram a madeira para a produção de celulose e papel. Dessa forma, o proprietário tem um retorno financeiro garantido sem precisar se preocupar com os riscos e custos do cultivo.
No entanto, essa prática pode ter consequências negativas para o meio ambiente. O eucalipto é uma espécie exótica e invasora, que se espalha rapidamente e pode prejudicar a biodiversidade local. Além disso, o seu cultivo em larga escala pode levar à monocultura, o que diminui a diversidade de espécies e pode afetar o equilíbrio ecológico da região.
Outra preocupação levantada pelo GEOTA é em relação ao território. Com o incentivo ao cultivo de eucalipto, áreas que antes eram destinadas à agricultura ou à preservação ambiental podem ser convertidas em plantações, o que pode afetar a produção de alimentos e a qualidade de vida das comunidades locais. Além disso, o eucalipto é uma árvore que consome muita água, o que pode gerar conflitos com outras atividades que dependem desse recurso.
Por fim, a aceitação social também é uma questão importante. O cultivo de eucalipto em larga escala pode gerar impactos negativos na vida das comunidades locais, como a perda de empregos e a degradação do meio ambiente. Isso pode gerar conflitos e afetar a relação entre as empresas e as comunidades, além de gerar uma imagem negativa para o setor.
Diante dessas preocupações, o GEOTA defende a necessidade de uma revisão na metodologia de financiamento, de forma a incentivar práticas mais sustentáveis e que levem em consideração o meio ambiente, o território e a aceitação social. Além disso, a organização também defende a importância de um diálogo entre todos os envolvidos, incluindo empresas, proprietários de terras e comunidades locais, para encontrar soluções que sejam benéficas para todos.
É importante ressaltar que o cultivo de eucalipto não é uma prática totalmente negativa. A árvore tem diversas utilidades, como a produção de celulose e papel, além de ser utilizada na recuperação de áreas degradadas. No entanto, é preciso que haja um equ





