A pandemia do novo coronavírus trouxe uma nova realidade para o mundo do trabalho. Com o aumento da demanda por serviços de entrega durante o período de isolamento social, os entregadores se tornaram ainda mais essenciais para o funcionamento da sociedade. Porém, ao mesmo tempo em que esses profissionais ganharam destaque, também ficou evidente a precarização de suas condições de trabalho.
Diante dessa realidade, entregadores de diversas cidades do país se uniram em uma paralisação nacional para reivindicar melhores condições de trabalho. A greve, intitulada “Breque dos apps”, aconteceu entre a segunda (31) e a terça-feira (1º) e mobilizou milhares de motoboys em ao menos 18 capitais brasileiras.
A luta dos entregadores por melhores condições de trabalho não é recente. Desde o início da pandemia, esses profissionais têm denunciado a falta de medidas de proteção e segurança por parte das empresas de entrega, além de baixos salários e jornadas exaustivas. Com a crise econômica e o aumento do desemprego, muitas pessoas se viram obrigadas a recorrer ao trabalho de entregador, o que acabou gerando uma concorrência desleal entre os profissionais.
O “Breque dos apps” foi organizado por movimentos como o Entregadores Antifascistas, que surgiu em São Paulo em abril deste ano, e o Coletivo Entregadores Unidos. A pauta principal da greve era a reivindicação por melhores condições de trabalho e o fim da exploração por parte das empresas de aplicativos de entrega, como iFood, Uber Eats, Rappi e Loggi.
Os entregadores exigem que as empresas forneçam equipamentos de proteção individual (EPIs) e álcool em gel, além da garantia de remuneração mínima de R$ 7 por corrida, mais R$ 1 por quilômetro rodado. Muitos relatam que atualmente, com as mudanças nas políticas de pagamento das empresas, acabam trabalhando mais horas para receber a mesma remuneração de antes da pandemia.
Além disso, os entregadores também reivindicam o fim do sistema de pontuação adotado por algumas empresas, que pode levar à exclusão do profissional caso ele receba avaliações negativas de clientes. Isso acaba gerando uma pressão constante sobre os trabalhadores, que muitas vezes precisam correr riscos para cumprir prazos e manter uma boa pontuação.
A paralisação teve adesão em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza. Em São Paulo, os entregadores se concentraram em frente ao shopping Pátio Paulista, na Avenida Paulista, um dos principais pontos de encontro da categoria na cidade. No Rio de Janeiro, os manifestantes se reuniram na Cinelândia, no centro da cidade.
A mobilização foi marcada por uma série de protestos pacíficos, com uso de máscaras e respeitando o distanciamento social. Em algumas cidades, os entregadores também realizaram carreatas para chamar atenção para suas reivindicações.
A repercussão da greve foi positiva entre a população, que se solidarizou com os entregadores e suas demandas. Nas redes sociais, muitas pessoas demonstraram apoio à paralisação e se comprometeram a não utilizar os serviços de entrega durante o período da greve.
A hashtag #BrequeDosApps ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter durante os dias da paralisação, evidenciando a importância do movimento e o alcance das reivindicações dos entregadores.
Em nota, as empresas de aplicativos de entrega afirmaram que estão abertas ao diálogo com os entregadores e que têm adot




